Nos dias em que fico por casa dá para me perder em memórias passadas… Deu-me hoje para lembrar o meu primeiro beijo. Não um beijo qualquer mas aquele beijo com o homem que promete ser, naquele momento, o homem dos nossos sonhos, o que coincidiu, no meu caso, com o meu primeiro beijo a um homem.

Conhecemo-nos pela net e, num dia planeado, encontramo-nos. Há noite, no jardim de uma bela cidade ribatejana, junto ao rio. Levava na mão uma rosa vermelha. Ousado para conhecer um (quase)desconhecido. Foi a forma mais fácil que encontramos de distinguir a tão comum descrição de homem de calça de ganga e blaser preto…

Os nervos eram muitos. As dúvidas surgiram na espera. Mas nem medos nem dúvidas me assombraram quando o vi, a caminhar para mim. O sorriso cúmplice de quem sabia o que ali fazíamos foi por mim retribuído. De dentro da camisola retirou a flor, flor do mato selvagem em beleza e fragrância. Estavam expostas as nossas diferenças. Eu, com uma delicada rosa vermelha à vista de todos, Ele, com uma bela flor selvagem escondida de todos. Não aconteceu aí - o beijo. Aí quebramos a barreira do contacto entre dois (quase)desconhecidos. Pouco tempo demoramos ao som lento das águas do rio. A partir desse momento seria surpreendido. Eu decidi o encontro Ele decidiu o programa…

Encaminhamo-nos para o carro dele. As conversas ainda tímidas. Enfrentávamos ambos a barreira pessoal bem mais difícil do que manter uma conversa por mail, sms ou mesmo chamada telefónica. A viagem foi rápida e o destino imprevisível, para mim. Chegamos à garagem do prédio dele. Parou o carro, retirou a chave e no momento seguinte encaminhava os seus lábios com destino aos meus. Sou sincero ao admitir que numa fracção de segundos me perguntei o que queria! Inocência da primeira vez… Beijamo-nos. Intensamente e ardentemente, pelo menos para mim…

Só depois me apercebi do que me tinha acontecido: o beijo com que sempre desejei. O beijo de um homem. O beijo com desejo e paixão. O beijo… quente, a sensação de invasão e invasor de nós e do outro, o toque húmido e sensual dos lábios, da língua… a certeza do tão desejado e finalmente conseguido. Foi bom, muito bom o meu primeiro beijo…

O resto??? Fica para depois…




Já vinha sendo tempo das sugestões e a escolha foi fácil. Vi recentemente este filme e depressa o intitulei como um dos melhores filmes que alguma vez vi. É um filme sobre música, a força da música, mas sobretudo, sobre a força do que verdadeiramente acreditamos como conficção na nossa vida. Sou um apaixonado por bandas sonoras e esta é absolutamente deliciosa. Recomendo vivamente que vejam, apreciem e deixem-se levar pela música das vossas vidas...



Estou de luto.
Sempre que passo por um velório surgem-me demasiadas perguntas. Sempre que passo pela morte ponho em causa a vida e o caminho que esta - a minha vida - toma. Ontém perdi a minha avó. Perdi-a para sempre e é isso que mais me doi. O momento em que tomamos consciência de que nada volta a trás. Nada do que se passou poderá repetir-se. A pessoa que sempre esteve presente, não o estará mais. Fez uma viagem. De ida. Sem volta.

E agora?
Como vivemos sem alguém que faz parte de nós? O que fazer nos momentos que estava com ela? Onde por a saudade, o amor, a tristeza... até quando deixar cair a lágrima? Ao longo da vida tenho perdido pessoas, algumas sem retorno. Porém, acho que não estou a conseguir pessoas, na vida, com capacidade de reposição das perdas... estou a ficar em saldo negativo!!!

Senti falta...
Senti hoje a falta do braço masculino que me envolvesse na minha dor. Do beijo suave no cabelo e da palavra vã, ainda assim, recompensadora, para tranquilizar o que não se tranquiliza... Senti-me, triste e só.

Acredito porém que melhores dias virão. Temos mesmo que acreditar, não é?

Até sempre querida avó......



"Ama e faz o que quiseres.

Se calares, calarás com amor;

se gritares, gritarás com amor;

se corrigires, corrigirás com amor;

se perdoares, perdoarás com amor.

Se tiveres o amor enraizado em ti,

nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."


Santo Agostinho




Durante este fim-de-semana estive num campo de férias para jovens diabéticos. Foi o meu primeiro campo de férias. Nunca fui criança de me entrosar facilmente no meio de desconhecidos e também nunca fui muito sociável devido a algumas condicionantes de vida. A experiência foi enriquecedora e gratificante. É certo que hoje, adulto e em trabalho, a realidade é diferente.

O curioso é que muitas questões internas me surgiram. Não só em relação a mim mesmo no passado e presente como em relação a todos os jovens que lá estavam. As idades variavam e, tanto rapazes como raparigas, partilhavam o dia em actividades e convívio. Alguns já se conheciam outros, novos, viviam a experiência e as pessoas pela primeira vez.

Em tudo o que mais pensei e observei foi a descriminação que surge em idades tão precoces. A discriminação pela minoria, pela novidade, até mesmo pela inocência e desconhecimento. Depressa pensei na sexualidade de todos aqueles jovens. Pergunto-me quantos não viverão mal a sua sexualidade por falta de acompanhamento, por medo e repressão, até mesmo de si para si mesmo. Quantos não se sentirão frustrados com a sua vida por falta de coragem, quantos não fingirão ser o que não são para poderem prosseguir o seu caminho e quantos terão a coragem para enfrentar tudo e todos e caminharem pela verdade de quem são: gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais.

O acompanhamento social não existe. A discussão da sexualidade é discutível. A que existe é ainda muito retrógrada. Não se fala abertamente e sem preconceito de orientação sexual, não como opção, mas como realidade natural.

Espero um dia ver essa sociedade…

PS: fica a foto do paraíso onde estivemos.



Eu sou... Gay!

Afirmação aceite e seguem-se as dificuldades... viver com essa realidade, com parte do que somos e nos define!

Sou mais um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida, convicto que sou apenas mais uma pessoa no Mundo, mais uma vida no Universo. Convicto que a orientação sexual é tão demais precoce e profundamente definida no nosso íntimo que não pode, já mais, ser contestada por outrem. Convicto de que não sou diferente, não posso ser diferente, pois a igualdade não existe entre as pessoas, entidades únicas e inigualáveis. Convicto que a descriminação não deverá acontecer, muito menos nas minorias, pois apenas enfraquece o contexto social, afinal, perfeição apenas se alcança na complementaridade natural de tudo o que existe…

… Contudo, aceitar a Homossexualidade é aceitarmo-nos a nós mesmos para podermos conviver com os outros na verdade do que somos. Como tal, estou convicto de que deve, em primeiro lugar, partir de cada um de nós.

Este, é mais um Blog, com histórias sobre uma vida de mais uma pessoa – um Blog sobre mim. Acredito no entanto na possibilidade de muito do que retratar aqui, possa ser ou ter sido vivido, sentido, pensado, desejado por quem o ler. Ao partilhar um pouco de mim creio conseguir um pequeno lugar no mundo um pouco melhor e em mim, um grande lugar um pouco maior… porque todos os dias são uma luta em que por vezes vencemos, por vezes somos vencidos, mas sempre crescemos!

Este Blog é mais um começo para mim…


About this blog

É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

Os que andam por aqui...