Tenho andado afastado do blog. Isto quase pareceu um capricho irreflectido mas não. Quero assegurar-me de que é mais que isso: um espaço meu, que me pertence e me faz falta. Peço desculpa aqueles, poucos ou muitos, que o seguem ou seguiram pela falta de actualizações… A verdade é que tenho andado, ou melhor, sentindo-me um pouco perdido em mim mesmo. Vá, sendo realista, muito perdido mesmo... Tenho feito alguns esforços, um pouco infrutíferos – é certo – para me encontrar. Acho que isto é a consequência inevitável de algumas escolhas e acontecimentos de vida (recentes e menos recentes). A verdade é que não sei o que fazer para ultrapassar esta fase mas estou confiante que o conseguirei...

Por estranho que pareça, o pensamento mais frequente que tenho tido é que gostava de voltar a ser criança. A forma simples como vivem e constroem o mundo. A forma como classificam nele o bem e o mal, fieis ao juízo dos seus olhos verdadeiros, inocentes e, por vezes, até cruéis pois perdem-se na simplicidade da consequência das suas vidas e das vidas dos que a rodeiam. Tenho saudades de ser e de viver sendo assim. Era tudo tão mais facil... Viver com o que compreendem e por de lado o incompreensivel!

As pessoas crescem, por vezes, de forma tão cruel para elas e para os outros. É-me tão difícil compreender o mundo por vezes… Não me considero alguém inocente, muito para lá disso. Porém, apercebo-me que uma das minhas qualidades se tem transformado num defeito para mim – a crença. Acredito(ava) demais nas pessoas. Porém, as desilusões directas ou indirectas nas pessoas, das pessoas e com as pessoas têm-me magoado e obrigado a uma concepção diferente de mim em relação aos outros.


Sei e sempre soube, por experiência própria, que a vida não é fácil. Apercebo-me nos dias de hoje, tarde já, que as pessoas a tornam mais difícil… porque?


Ler um livro é viver uma história que se funde com a nossa vida. Uma historia que dura enquanto durar a leitura. No final, o livro termina mas a vida continua…

Tenho andado ausente do blog e até um pouco da minha vida. Estou a empreender um esforço pessoal para me devolver a mim e à minha vida após o duro golpe que sofri. Se houver certo ou errado no amor, assumo que amei a pessoa errada.

Estou neste momento de férias, com família, numa diversão, por vezes quase forçada, e numa tranquilidade que abunda por estes sítios, aproveitando, ou tentando fazê-lo, nestes dias de calor. É-me por vezes difícil distanciar-me do passado e da dor que ainda sinto… Tenho-me refugiado no que me dá alguma satisfação: amigos, novos e antigos, lindos desconhecidos, passeios e aventuras, musica e leitura…

Terminei hoje um livro, o livro que aqui apresento, que me marcou. Principalmente porque fala de pessoas, mas acima de tudo porque fala de forma nua e crua, da humanidade das pessoas. No seu bom, menos bom e mau que todos temos. Nos que assumimos, escondemos, tememos e enfrentamos e, acima de tudo, nas perspectivas como cada um entende cada qual e com cada qual vive e deixa ser vivido… Senti muito do que li. Li muito do que senti e sinto nestes últimos tempos.

Ficou-me a grande questão: valerá amar e passar por tudo ou viver uma vida sem amar? Seja como for… Carpe Diem!?


Este é um blog recém-nascido e em pouco tempo abandonado. Sendo algo que criei que espelha o reflexo de mim e da minha vida este abandono foi a única coisa que consegui nestes últimos tempos fazer. Para que percebam abaixo fica a história, mais ou menos detalhada. Espero que a partilha me faça bem e me ajuda a superar, a esquecer ou a alguma coisa que não sei bem o que.


Tinha um namorado, como já disse em antigos post’s. Digo, tinha porque acabámos o namoro: não percebi se de forma mútua, se fui eu ou se foi ele. Apenas sei que acabou e quanto a isso não há dúvidas de parte alguma.

Durante muito tempo desejei profundamente amar alguém. Cheguei a pensar não conseguir fazê-lo por qualquer problema meu. Porém, um dia percebi que se não fosse eu a procurá-lo, o meu príncipe não surgiria na minha vida. Foi o que fiz. Procurei e encontrei alguém. Encontrei-o a ele. Sei hoje que estaria longe de ser o meu príncipe, mas no inicio nada revelava o contrário. Ou talvez tudo o revelasse e eu louco de desejo e paixão não o quisesse ver!

A ele me entreguei de corpo e alma e, podem não acreditar, mas sinto que de alguma forma, também ele se entregou a mim. Foi com ele a minha primeira vez e foi boa, muito boa. De um momento para o outro tinha tudo o que sempre sonhei! Talvez as coisas tenham andado depressa de mais, mas, o que sempre pedi foi sinceridade. Hoje sei que foi aquilo que nunca tive.

Como em qualquer relação, o princípio é fácil. A entrega a loucura embriagadas na exploração um do outro. O problema está mesmo em manter a linha de intimidade que se vai enraizando entre ambos e, cada vez mais, tornando numa só. Os problemas começaram aí. Ele não estava disposto a isso. Não estava disposto a deixar-me ser parte da sua vida, de alguma forma. Doía-me sabê-lo, ainda assim aguentava porque o amava.

Pouco estávamos juntos, apenas falávamos ao telefone. Ele alegava ter uma vida complicada, eu alegava sentir falta dele. Acabávamos por discutir e desligar. Conquistamos proximidade que se desfazia à medida que nós nos afastávamos um do outro. Inesperadamente, ele deixou de me atender o telefone. Nunca pensei que tal coisa me acontecesse mas quase me afundei na minha vida. Nunca pensei sentir tanta necessidade de alguém, como sentia dele. Pensei de tudo o que me foi possível pensar. Dois dias depois ele manda uma estranha mensagem a pedir-me espaço. Eu estava de rastos. De rastos fiquei e a juntar a isso confuso: como e que alguém pede a espaço à pessoa que ama por ter a vida complicada? Pareceu-me um contra-censo. Esperei. Dois dias mais tarde mandei sms. Ele respondeu. As coisas pioraram. Era frio e distante nas palavras que utilizava, não dava explicações e chegava mesmo a fazer ameaças não específicas.

Um dia mais tarde, não aguentei. Vivia a minha vida equilibrado numa corda sem saber se me deixava cair ou se alguém me iria estender a mão. Fui ter com ele ao trabalho. Recebeu-me bem e fomos falar num café. Ele diz-me que eu o conhecia e que sabia que ele não gostava de pressão ou prisão e que eu lhe estava a dar essas duas coisas. Não percebi o que me dizia. Apenas sabia, ou melhor, sentia que gostava dele. Estava tão feliz por pelo menos o ver! Depois da conversa estava disposto a perdoar aquilo que ele fez acreditar ser o meu erro para poder continuar a tê-lo. Acabamos de conversar mas sentia que a conversa ainda não tinha chegado ao fim. O que fazer? Ele tinha que ir trabalhar. Pedi-lhe então para ir para casa dele esperar por ele. Aceitou.

Em casa dele sentei-me na sala a ver tv e a fazer sopa de letras das publicidades. Pensava em como podia eu mudar para ele. O que podia eu adaptar da minha vida para lhe agradar mais… estúpido que fui! Enquanto esperava na sala, no quarto um telemóvel tocou. Uma mensagem. Sabia não ser meu. Sabia ser o telemóvel dele. Aquele por onde falávamos. Aquele que antigamente ele usava para marcar encontros fortuitos mas frequentes. Algo me disse para ir até ao quarto. Perdido em pensamentos dirigi-me ao telemóvel. Junto dele, pousado distraidamente sobre a cómoda, estava uma factura. Datava do último fim-de-semana que tínhamos falado e provava que ele esteve em Lisboa numa sauna gay! Nesse momento tudo ficou claro para mim. De repente tudo fez um atroz e horrendo sentido. Não me orgulho do que fiz, não sou assim, mas vasculhei então toda a casa dele, telemóveis e intimidade. Muitas vezes fiquei em casa dele sozinho. Nunca tinha tocado em nada. Sempre confiei e acreditei nele e no que me dizia. Fui ingénuo. A partir daquele momento deixei de o fazer.

Conclusões? Omitiu-me o facto de ter sido casado e se ter divorciado, talvez até o facto de ter filhos. Enganou-me mantendo encontros com rapazes há pelo menos 1 mês, pela data da mensagem mais antiga. Talvez até à mais tempo. Encontros em que foi ele que procurou, não foi procurado. Quantas vezes quando falávamos à noite e ele me dizia ser fiel e amar não ia ter com um qualquer desconhecido para uma rápida entrega ao prazer carnal. Mentiu-me dizendo que nunca levava ninguém para casa dele e as embalagens de preservativos estavam lá, no lixo do wc…

Quando chegou confrontei-o directamente. Limitou-se a mandar-me sair da sua casa. Sem explicações. Limitei-me a dizer que o faria e para sempre.


Pergunto-me hoje se ele algum dia gostou de mim, de alguma forma, que não sexual. Dói-me pensar que alguém levou a que o amasse e me entregasse a ele apenas para me usar e enganar. Porém, sei que ele se abriu demais comigo. Mostrou-me a sua vida, na quase totalidade e desvendou-me os seus medos. Não compreendo essa incongruência!
Estou a tentar sobreviver a esta fria punhalada bem no fundo do meu coração. Não está a ser fácil e sou sincero que não sei se conseguirei mas estou a esforçar-me… Talvez melhores dias virão?!

Ontem o dia foi difícil. Aliás todo o fim-de-semana foi difícil! Fala quem trabalha indiscriminadamente durante a semana de sete dias… O trabalho não foi fácil, ou seja, não foi mais um dia! Mal tive tempo para comer… Chegar a casa não foi mais fácil. Neste momento é o que tenho – uma casa – apenas isso. Simples paredes vazias e recheadas da minha presença no seu interior, sem vestígios de outrem. É difícil chegar a casa e não ter nada à nossa espera à excepção de uma cama com lençóis frios, não que não saibam bem neste tempo de calor, mas o calor humano e o calor do amor, sabem bem melhor!

Não aguentei e liguei-te. A opressão saudosa do coração levou-me a isso. O que tive de ti foi uma voz distante através do contacto frio e metálico do telemóvel. Mas também distante em sentimentos e afectos me pareces. Dizes não ter paciência, demasiados problemas, até não teres vontade de mim e, por vezes, nem de ti mesmo… Eu percebo! Mas sofro com isso. Sofro com as palavras que racionalmente compreendo mas o coração aperta-se mais um pouco quando as sente na tua boca, mesmo à distância… Acabei por dizer o que não devia. Por vezes não consigo mais manter a minha capa de quem apoia cegamente! Também erro. Mas é um erro por desconhecido, não sei como viver contigo e com o amor que sinto por ti!

Perdi-me nas tuas recordações antes de adormecer. Na última viagem que fizemos apoiei a minha cabeça no teu ombro. Em reposta sincera, eu senti-o, deste-me um beijo no cabelo e deixas-te descansar a tua cabeça sobre a minha… Senti-me feliz nesse momento…

… Preciso de coisas fofas… Valha-me as bolachas com
chocolate…

Estive hoje na formatura dos meus afilhados de faculdade. Para quem não sabe são os estudantes que entram no ano a seguir ao nosso na faculdade, pelo menos na minha ex-escola. É um momento muito emotivo e para mim reflexivo…

… Fiquei a perguntar-me se a vida toma o seu rumo próprio ou se somos nós que damos o próprio rumo à vida! Sei que não chegarei à resposta, motivo pelo qual muitas das vezes não gosto de debater ideias, porém não paro de pensar nisso.

Sou alguém que acredita no fado e no destino encerrado nas coincidentes coincidências da vida. Acredito em algo mais para lá de nós mortais. Acho, por vezes, que somos demais insignificantes na infinitude do universo… Mas nem assim a vida se torna, para mim, mais fácil de encarar e levar!

Sofri desde cedo com o melodrama familiar. Tirei um curso que sabia, à partida não gostar. Em consequência, comecei uma profissão que não gosto. Vivi uma vida na mentira dos outros criando a minha própria mentira na consciente verdade de mim e da minha orientação sexual. Conheci muitas coisas tarde, uma delas, o amor. Quando este surgiu na minha vida, peço mais, não em quantidade mas em qualidade…

Sinto muitas vezes que a vida seria muito mais fácil se colocássemos anúncios em jornais e mediante as respostas escolhíamos a alternativa que mais nos convinha. Que tal: Procura-se a profissão dos meus sonhos?; ou Procura-se a família ideal para adoptar jovem interessado?; ainda Procura-se o amor que me faça feliz todos os dias da minha vida?; ou mesmo Procura-se a vida que sempre quis, se alguém sabe do seu paradeiro é favor de contactar para 9xxxxxxxx!.

Em verdade tenho que assumir que é pouco, muito pouco mesmo, para não dizer nada (pois não gosto de ser radical), aquilo que me arrependo na minha vida. Hoje, tenho a sorte de estar a trabalhar na área que cursei, ao contrário de muitos. Tenho a minha independência completa: financeira, pessoal e intelectual. Continuo a levar com os dramas familiares (há coisas que não mudam nunca). Assumi-me às pessoas que senti necessidade de o fazer. Tenho um namorado. Porém não sou feliz com o rumo da minha vida… Talvez seja eu o eterno descontente. Podem acusar-me disso. Eu próprio me acuso disso por vezes… Mas acabo sempre a pensar: não tenho o direito de ser feliz?




Uma das coisas que mais preso na vida é a amizade, porém acho-me por vezes incapaz de ser verdadeiro amigo de alguém… Sei ouvir e escutar, sei acompanhar e estar presente, com ele e por ele, mas… sou demais complicado e problemático para conseguir dizer a palavra certa que ajude e seja o que quer ele ouvir…
Posso ser ousado em chamar-te amigo, se o estiver a ser desculpa-me. Mas sei que és um grande homem, uma linda pessoa, uma alma única e inigualável e por vezes esqueces-te disso ou teimas em não acreditar em ti mesmo. Acredito que a luz do sol é o teu caminho e o sorriso das estrelas a expressão da tua alegria… e desejo vê-la sempre no teu rosto e na tua vida.
Sê feliz por mim e para mim, mas acima de tudo, por ti e para ti. És fixe, rapaz fixe…

Para ti novo amigo e para vocês amigos de sempre… e para sempre, Sejam os heróis das vossas vidas!


Tantos dias que pensei em ti e no desejo de te ter, comigo, para sempre, mesmo antes de saber que te teria, mesmo antes de te conhecer. Agora tenho-te. Sei o que é sentir-te, tocar-te, beijar-te, ter-te dentro de mim. Sei o que é ser amado por ti, desejado por ti. Agora sei o que é amar, sei o que é sentir-me tão ligado a alguém que a minha vida quase parece depender da tua. Sinto-me existir apenas porque existes e isso basta-me!

Simplesmente Amo-te.

Amo-te na diferença que nos distingue e na igualdade que nos une. Amo-te no verão e no inverso, quando faz sal ou quando chove. Amo-te quando dizes que me amas e amo-te quando o esqueces de dizer por palavras. Amo-te quando és tu mesmo e também te amo quando te esqueces de seres tu mesmo…

Simplesmente Amo-te.

Mas… tenho que te amar na ausência. Tenho que te amar na distância do teu beijo, do teu toque, do teu corpo, do teu perfume, da beleza do teu sexo, da intensidade do teu olhar, das palavras sussurradas ao ouvido… Tenho que te amar sem data e sem prazo, aproveitando de ti, o máximo que consiga, até à próxima vez em que te terei, incerta e longínqua. Tenho que amar-te…

E simplesmente Amo-te porque, hoje, já não sei fazer mais nada a não ser amar-te. E porque se me pergunto se verdadeiramente te amo, a saudade atroz e agudizante que sinto de ti e por ti no meu coração me relembra que sim, sim e sim, intensa e (quase)desesperadamente, todos os dias da minha vida. E por te amar apenas peço forças para conseguir fazê-lo e continuar a fazê-lo na distância que nos separa e, ainda assim, ajudar-te, sempre que precisares e mo permitires fazer…

About this blog

É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

Os que andam por aqui...