Confesso, estava a morrer de curiosidades várias… Depois do convite aceite, armei-me com amiga de baixo do braço e eis que lá vamos nós, todos pimpões, rumo ao Casino Estoril. O espectáculo, esse, prometia mentes e olhos livres de preconceito frente a exposição de 8 rapazes que mostram, em nome da arte e sabe-se lá mais o quê, o que têm de mais íntimo (e não me refiro, claro, às suas almas) – Rapazes Nus a Cantar!.

Para quem não sabe o espectáculo, de origem americana, existe há 10 anos, tendo já sido realizado e adaptado em vários países. Surge em Portugal pelas mãos dos irmãos Feist. Como musical que é permite aos espectadores a música, representação, dança acerca do homem e do que o caracteriza: os seus órgãos genitais! E, para estar em completa consonância com o propósito, encontram-se pois, os ditos cujos, expostos.

Ora, porque gosto de espectáculos, cultura e musicais eis que tive curiosidade sobre tal, mais ainda sendo gay e podendo ver, integralmente, belos homens, na plenitude da sua essência que tanto amo! Contudo, devo confessar que cantar lá cantaram mas, a mim, não me encantaram…

Esperava uma temática focada na masculinidade no seu global e surge, quase maioritariamente, um musical gay! Seguia-se as vozes que, excepto duas ou três, não são capacitadas aos requisitos musicais da peça. As coreografias pareceram-me pouco trabalhadas e muito menos originais… Felizmente também ouve coisas boas, claro. De salvaguardar o grande talento do Nuno Feist ao piano, as musicas, embora a tradução/adaptação tenha ficado longe da perfeição, foram interessantes. Destaco um momento em especial, muito bonito e romântico, entre dois dos actores, para mim as melhores vozes e a melhor música do espectáculo.

Bom, e as pilas, o que vos tenho eu a dizer, … são pilas!!!

A noite seguiu nas slot machines, como não podia deixar de ser, em que joguei 5€ e tirei 20€… Para os invejosos ou invejosas, apenas digo que foi a primeira vez que aconteceu. Será que o azar no amor está agora a dar os seus frutos em retardado?

Para acabar mesmo, mesmo bem, só podia ser no bar, ao som de música ao vivo em frente a um grande gelado de brownie, gelado, nozes e chantilly com topping de morango…

Obrigado miga!

Sem dúvida doméstico. Dia 28 foi o dia do solteiro. Não fazia a mínima ideia que tal dia existia! Agradeço a um bloger simpático que deu essa informação… Acreditem ou não eu sentia que nesse dia tinha algo a comemorar e de facto tinha razão.

Não ao jeito de comemoração mas muito adequado à situação esteve o meu dia. Virei um autêntico homem doméstico! Desde que acordei até que fui trabalhar à noite lavei e sequei roupa, aspirei e lavei o chão, arrumei o quarto, dobrei roupa e fiz a cama, qual escrava Isaura. Podia o meu dia estar mais adequado à comemoração? Ora eis que no final do dia me questiona uma pessoa fixe, daquelas mesmo fixes, se fui doméstico ou domesticado…? Não se está mesmo a ver? Acreditando na sabedoria popular: antes só que mal acompanhado! Nem sempre estão certos os provérbios porém trazem consigo a aprendizagem de vida ao longo de gerações e gerações, por vezes os tempos é que mudam…

E que bela forma de descontrair antes do trabalho se não regressando à família que mais gosto? Bem-vindos Brothers and Sisters… Já tinha saudades vossas. O trama familiar envolvente, a paixão e intensidade de cada personagem, as promessas de mudança no enredo… o caos de vida de cada um que depressa passa a ser o de todos! Adoro esta série…! Recomendo a todos os interessados.

E hoje conheci mais uma daquelas pessoas que comummente se designam de in pack! Pelo menos acredito nisso mesmo. A estrela de David assenta-lhe muito bem para a protecção do seu coração na luta que vem travando – conseguirás um dia alcançar o que seja melhor para ti… Estarei aqui se precisares e bem-vindo a este meu pequeno cantinho.


Sem dúvida que sou alguém doméstico por domesticar… Não por opção mas porque assim é de momento... Aceitam-se candidatos, alguém se propõe?

Ainda me sinto estranho quando me perguntam como estou. Digo que sim, estou bem porque afinal não estou mal. Quem não teve um desgosto de amor? Serei ridículo ao sofrer e deixar a mágoa invadir-me por dentro e por fora? Sofrer por quem não merece ou sofrer por mim que sinto ser merecedor mas a vida teima em achar que não, por mim, em vez de mim ou comigo e eu sou o único que não me apercebo…? Começo a ficar cansado de mim e deste estado de espírito enublado em que me encontro mas não sinto escolha nele mesmo. Não sinto escolha na possibilidade do amor errado, não sinto escolha na possibilidade de sofrer ou não sofrer, não sinto escolha num futuro melhor, não sinto escolha…

Têm-me criticado! Alegam que tenho o que quis e posso ter o que quero! E eu só me pergunto (e mais que isso, tento desbravar esse caminho de vida) se realmente assim será. Desligo-me de mim mesmo e olho em redor: tenho a minha vida determinada pela minha vontade, a minha profissão que conscientemente escolhi, o meu trabalho que por sorte (é no que acredito) consegui, a área profissional de eleição, uma em várias, tenho amigos… Mas depois de tudo o que vejo, o que procuro não encontro. Não tenho amor.

Coisas pequenas não são pequenas coisas e é com elas que eu sobrevivo. Não são pequenas coisas e é isso que me faz continuar em frente, dia após dia. E nesses dias é onde encontro coisas pequenas … os jantares com amigos, a palavra da amiga, a mensagem do amigo, o amor-perfeito a crescer no jardim, as conversas e partilhas, mesmo que parvas, os prazeres, mais intelectuais que físicos, retirados da leitura, televisão, computador, ps2… pequenas fogueiras que tentam aquecer o coração.

A todos, a tudo, obrigado pelo esforço. Acredito que um dia conseguirei…

… e uma grande ajuda acabou de regressar: Anatomia de Grey. O que eu gosto desta série! Novos episódios em que chorei e ri, vivi com aquelas personagens as suas vidas, fictícias, mas ainda assim, tão reais e palpáveis. E a propósito, se alguém conhecer um O’Malley eu estou interessado…

PS: Estava já canso da mesma música. Trago uma nova sugestão. Espero que gostem tanto como eu…



Tenho andado afastado do blog. Isto quase pareceu um capricho irreflectido mas não. Quero assegurar-me de que é mais que isso: um espaço meu, que me pertence e me faz falta. Peço desculpa aqueles, poucos ou muitos, que o seguem ou seguiram pela falta de actualizações… A verdade é que tenho andado, ou melhor, sentindo-me um pouco perdido em mim mesmo. Vá, sendo realista, muito perdido mesmo... Tenho feito alguns esforços, um pouco infrutíferos – é certo – para me encontrar. Acho que isto é a consequência inevitável de algumas escolhas e acontecimentos de vida (recentes e menos recentes). A verdade é que não sei o que fazer para ultrapassar esta fase mas estou confiante que o conseguirei...

Por estranho que pareça, o pensamento mais frequente que tenho tido é que gostava de voltar a ser criança. A forma simples como vivem e constroem o mundo. A forma como classificam nele o bem e o mal, fieis ao juízo dos seus olhos verdadeiros, inocentes e, por vezes, até cruéis pois perdem-se na simplicidade da consequência das suas vidas e das vidas dos que a rodeiam. Tenho saudades de ser e de viver sendo assim. Era tudo tão mais facil... Viver com o que compreendem e por de lado o incompreensivel!

As pessoas crescem, por vezes, de forma tão cruel para elas e para os outros. É-me tão difícil compreender o mundo por vezes… Não me considero alguém inocente, muito para lá disso. Porém, apercebo-me que uma das minhas qualidades se tem transformado num defeito para mim – a crença. Acredito(ava) demais nas pessoas. Porém, as desilusões directas ou indirectas nas pessoas, das pessoas e com as pessoas têm-me magoado e obrigado a uma concepção diferente de mim em relação aos outros.


Sei e sempre soube, por experiência própria, que a vida não é fácil. Apercebo-me nos dias de hoje, tarde já, que as pessoas a tornam mais difícil… porque?


Ler um livro é viver uma história que se funde com a nossa vida. Uma historia que dura enquanto durar a leitura. No final, o livro termina mas a vida continua…

Tenho andado ausente do blog e até um pouco da minha vida. Estou a empreender um esforço pessoal para me devolver a mim e à minha vida após o duro golpe que sofri. Se houver certo ou errado no amor, assumo que amei a pessoa errada.

Estou neste momento de férias, com família, numa diversão, por vezes quase forçada, e numa tranquilidade que abunda por estes sítios, aproveitando, ou tentando fazê-lo, nestes dias de calor. É-me por vezes difícil distanciar-me do passado e da dor que ainda sinto… Tenho-me refugiado no que me dá alguma satisfação: amigos, novos e antigos, lindos desconhecidos, passeios e aventuras, musica e leitura…

Terminei hoje um livro, o livro que aqui apresento, que me marcou. Principalmente porque fala de pessoas, mas acima de tudo porque fala de forma nua e crua, da humanidade das pessoas. No seu bom, menos bom e mau que todos temos. Nos que assumimos, escondemos, tememos e enfrentamos e, acima de tudo, nas perspectivas como cada um entende cada qual e com cada qual vive e deixa ser vivido… Senti muito do que li. Li muito do que senti e sinto nestes últimos tempos.

Ficou-me a grande questão: valerá amar e passar por tudo ou viver uma vida sem amar? Seja como for… Carpe Diem!?


Este é um blog recém-nascido e em pouco tempo abandonado. Sendo algo que criei que espelha o reflexo de mim e da minha vida este abandono foi a única coisa que consegui nestes últimos tempos fazer. Para que percebam abaixo fica a história, mais ou menos detalhada. Espero que a partilha me faça bem e me ajuda a superar, a esquecer ou a alguma coisa que não sei bem o que.


Tinha um namorado, como já disse em antigos post’s. Digo, tinha porque acabámos o namoro: não percebi se de forma mútua, se fui eu ou se foi ele. Apenas sei que acabou e quanto a isso não há dúvidas de parte alguma.

Durante muito tempo desejei profundamente amar alguém. Cheguei a pensar não conseguir fazê-lo por qualquer problema meu. Porém, um dia percebi que se não fosse eu a procurá-lo, o meu príncipe não surgiria na minha vida. Foi o que fiz. Procurei e encontrei alguém. Encontrei-o a ele. Sei hoje que estaria longe de ser o meu príncipe, mas no inicio nada revelava o contrário. Ou talvez tudo o revelasse e eu louco de desejo e paixão não o quisesse ver!

A ele me entreguei de corpo e alma e, podem não acreditar, mas sinto que de alguma forma, também ele se entregou a mim. Foi com ele a minha primeira vez e foi boa, muito boa. De um momento para o outro tinha tudo o que sempre sonhei! Talvez as coisas tenham andado depressa de mais, mas, o que sempre pedi foi sinceridade. Hoje sei que foi aquilo que nunca tive.

Como em qualquer relação, o princípio é fácil. A entrega a loucura embriagadas na exploração um do outro. O problema está mesmo em manter a linha de intimidade que se vai enraizando entre ambos e, cada vez mais, tornando numa só. Os problemas começaram aí. Ele não estava disposto a isso. Não estava disposto a deixar-me ser parte da sua vida, de alguma forma. Doía-me sabê-lo, ainda assim aguentava porque o amava.

Pouco estávamos juntos, apenas falávamos ao telefone. Ele alegava ter uma vida complicada, eu alegava sentir falta dele. Acabávamos por discutir e desligar. Conquistamos proximidade que se desfazia à medida que nós nos afastávamos um do outro. Inesperadamente, ele deixou de me atender o telefone. Nunca pensei que tal coisa me acontecesse mas quase me afundei na minha vida. Nunca pensei sentir tanta necessidade de alguém, como sentia dele. Pensei de tudo o que me foi possível pensar. Dois dias depois ele manda uma estranha mensagem a pedir-me espaço. Eu estava de rastos. De rastos fiquei e a juntar a isso confuso: como e que alguém pede a espaço à pessoa que ama por ter a vida complicada? Pareceu-me um contra-censo. Esperei. Dois dias mais tarde mandei sms. Ele respondeu. As coisas pioraram. Era frio e distante nas palavras que utilizava, não dava explicações e chegava mesmo a fazer ameaças não específicas.

Um dia mais tarde, não aguentei. Vivia a minha vida equilibrado numa corda sem saber se me deixava cair ou se alguém me iria estender a mão. Fui ter com ele ao trabalho. Recebeu-me bem e fomos falar num café. Ele diz-me que eu o conhecia e que sabia que ele não gostava de pressão ou prisão e que eu lhe estava a dar essas duas coisas. Não percebi o que me dizia. Apenas sabia, ou melhor, sentia que gostava dele. Estava tão feliz por pelo menos o ver! Depois da conversa estava disposto a perdoar aquilo que ele fez acreditar ser o meu erro para poder continuar a tê-lo. Acabamos de conversar mas sentia que a conversa ainda não tinha chegado ao fim. O que fazer? Ele tinha que ir trabalhar. Pedi-lhe então para ir para casa dele esperar por ele. Aceitou.

Em casa dele sentei-me na sala a ver tv e a fazer sopa de letras das publicidades. Pensava em como podia eu mudar para ele. O que podia eu adaptar da minha vida para lhe agradar mais… estúpido que fui! Enquanto esperava na sala, no quarto um telemóvel tocou. Uma mensagem. Sabia não ser meu. Sabia ser o telemóvel dele. Aquele por onde falávamos. Aquele que antigamente ele usava para marcar encontros fortuitos mas frequentes. Algo me disse para ir até ao quarto. Perdido em pensamentos dirigi-me ao telemóvel. Junto dele, pousado distraidamente sobre a cómoda, estava uma factura. Datava do último fim-de-semana que tínhamos falado e provava que ele esteve em Lisboa numa sauna gay! Nesse momento tudo ficou claro para mim. De repente tudo fez um atroz e horrendo sentido. Não me orgulho do que fiz, não sou assim, mas vasculhei então toda a casa dele, telemóveis e intimidade. Muitas vezes fiquei em casa dele sozinho. Nunca tinha tocado em nada. Sempre confiei e acreditei nele e no que me dizia. Fui ingénuo. A partir daquele momento deixei de o fazer.

Conclusões? Omitiu-me o facto de ter sido casado e se ter divorciado, talvez até o facto de ter filhos. Enganou-me mantendo encontros com rapazes há pelo menos 1 mês, pela data da mensagem mais antiga. Talvez até à mais tempo. Encontros em que foi ele que procurou, não foi procurado. Quantas vezes quando falávamos à noite e ele me dizia ser fiel e amar não ia ter com um qualquer desconhecido para uma rápida entrega ao prazer carnal. Mentiu-me dizendo que nunca levava ninguém para casa dele e as embalagens de preservativos estavam lá, no lixo do wc…

Quando chegou confrontei-o directamente. Limitou-se a mandar-me sair da sua casa. Sem explicações. Limitei-me a dizer que o faria e para sempre.


Pergunto-me hoje se ele algum dia gostou de mim, de alguma forma, que não sexual. Dói-me pensar que alguém levou a que o amasse e me entregasse a ele apenas para me usar e enganar. Porém, sei que ele se abriu demais comigo. Mostrou-me a sua vida, na quase totalidade e desvendou-me os seus medos. Não compreendo essa incongruência!
Estou a tentar sobreviver a esta fria punhalada bem no fundo do meu coração. Não está a ser fácil e sou sincero que não sei se conseguirei mas estou a esforçar-me… Talvez melhores dias virão?!

Ontem o dia foi difícil. Aliás todo o fim-de-semana foi difícil! Fala quem trabalha indiscriminadamente durante a semana de sete dias… O trabalho não foi fácil, ou seja, não foi mais um dia! Mal tive tempo para comer… Chegar a casa não foi mais fácil. Neste momento é o que tenho – uma casa – apenas isso. Simples paredes vazias e recheadas da minha presença no seu interior, sem vestígios de outrem. É difícil chegar a casa e não ter nada à nossa espera à excepção de uma cama com lençóis frios, não que não saibam bem neste tempo de calor, mas o calor humano e o calor do amor, sabem bem melhor!

Não aguentei e liguei-te. A opressão saudosa do coração levou-me a isso. O que tive de ti foi uma voz distante através do contacto frio e metálico do telemóvel. Mas também distante em sentimentos e afectos me pareces. Dizes não ter paciência, demasiados problemas, até não teres vontade de mim e, por vezes, nem de ti mesmo… Eu percebo! Mas sofro com isso. Sofro com as palavras que racionalmente compreendo mas o coração aperta-se mais um pouco quando as sente na tua boca, mesmo à distância… Acabei por dizer o que não devia. Por vezes não consigo mais manter a minha capa de quem apoia cegamente! Também erro. Mas é um erro por desconhecido, não sei como viver contigo e com o amor que sinto por ti!

Perdi-me nas tuas recordações antes de adormecer. Na última viagem que fizemos apoiei a minha cabeça no teu ombro. Em reposta sincera, eu senti-o, deste-me um beijo no cabelo e deixas-te descansar a tua cabeça sobre a minha… Senti-me feliz nesse momento…

… Preciso de coisas fofas… Valha-me as bolachas com
chocolate…

About this blog

É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

Os que andam por aqui...