Não sou como um rio que corre mas como uma gota que escorre, do outro lado de um vidro, lá fora, nestes tempos chuvosos. Sem sentido ou rumo certo vagueia, ao sabor do vento, que mais para a direita ou mais para a esquerda, a vai empurrando sem vontade na descida que lhe cabe. Mas não solitária, muitas outras gotas, como ela, a cercam nesse caminho curvo e incerto. Tão iguais como diferentes de si mesma. E incerta é também a forma como ao fim chegará, na hipótese de chegar. Porque tudo não passa de hipóteses! E neste lema vai descendo o frio, rígido e intransponível vidro numa dança forçada, na qual, nem sempre se sai bem. Mas continua. E eis que numa dessas curvas, outra, quase como ela, surgiu. Outra como outras. Mas na sua vontade incerta surgiu a vontade certa de que o vento soprasse mais para a direita. Por coincidência o vento deu um pequeno suspiro que ela depressa aproveitou. Mas a cautela tomou-se de consciência e não se fundindo permitiu-se ficar lado a lado por esse caminho. Tão perto que quase se tocam, por vezes. Partilham agora a descida sinuosa na verdade, não plena mas sincera, da pequenez de gota que cada uma é e traz em si. Continua a descer. Perdida na incerteza de juntas continuarem. Perdida na vontade da outra. Perdida, mais ainda, no temor do que possa calhar como hipótese no vento que se sente. Porque tudo são hipóteses! E como certo está apenas o chão, como fim do vidro, dando fim certo ao caminho.



… amar, o amor. Ilógico, irracional, puramente sentimental, inqualificável, inquantificável. A essência da vida tão incerta e subjectiva. É atroz o sofrimento de quem não ama e sente, que o princípio da vida o leva a isso. Atroz o desespero daquele, que quando se despe de si, percebe o vazio do outro, na sua própria solidão. Atroz o desejo que o corrompe pela vontade de amar. Atroz o tempo da vida que passa a tentar amar, a querer amar. E atroz o momento em que cansado, frustrado, na espera do amor desiste de o fazer, de o ter, de o conseguir, quase que desistindo de parte da razão que o leva a viver, acordar e respirar.

E eis que um dia ama!

Mas o tormento não termina. Desta feita em plena competição com o enormíssimo sentimento que o preenche surge a dúvida da reciprocidade que dele exigimos. Sabermo-nos amados no outro. Sabermos até onde vai e chega o amor do outro por nós em prol do amor de nós pelo outro. Ou por outro lado, perdidos na dúvida nossa de até onde vai o nosso amor pelo outro! Mas tormento maior é o amor não correspondido. Aquele que enche o nosso mundo e a nossa vida mas se perde no campo da possibilidade falhada face à não resposta do outro. O amor é ser de duas almas e esse é o seu segredo: duas vidas que vivem em si a alma do amor na fusão das suas almas. E não esqueçamos ainda o amor desencontrado, quais caminhos errantes que se cruzam tarde ou cedo demais no tempo errante do destino…

Amor, sentimento, esse, de compreensão impossível!



Seria bom acreditar na mudança advinda da passagem do ano. Sentir que, no tempo constrito em que os relógios marcam às exactas 00:00, algo em nós muda na certeza de que tudo será melhor ou tão bom como até então. Algo que a partir da etapa simbólica de uma hora que expressa o nada – começo do tudo – nos permitisse a nós mesmos começar ou recomeçar o que vivemos ontem, vivemos hoje para podermos viver o amanhã não simplesmente vivendo, mais sim, sendo felizes na sua vivencia.

Porém, afogueados pela preparação e ansiosos pelo momento, perdemos os últimos instantes do ano entre contagens de passas, subidas a cadeiras e sofás, verificação da roupa nova, das cuecas azuis, do soutien vermelho, de um sem número de supérfluas superstições. Chegada a contagem decrescente tudo acontece depressa de mais e no final, já sem passas na mão, já no chão, ouvem-se as garrafas de champanhe a abrir e os copos a encher enquanto vamos cumprimentando todos com os votos sinceros, dizemos nós e eles, daquilo que tanto esperámos mas que nos esquecemos até aqui, e eis que brindamos e bebemos. E é então que sentimos o frio gélido que vem da janela aberta, de forma propositada para a entrada do novo ano, e nos apercebemos que tudo permanece igual e nada mudou. Somos nós e a vida, a mesma vida de antes, a mesma vida de sempre. Desvanecesse o sorriso, cai a farsa e ficamos nós, nus e crus perante aquilo que a nossa consciência e o nosso coração nos permite ver.

Este é o momento. Este retorno há percepção dura e real de nós mesmos permite-nos perceber o que para lá dos desejos, realmente temos necessidade que mude e se altere em prol da menor infelicidade merecida. A mudança essa, não eufemizada, é o mais difícil de concretizar, mas possível se a isso nos propusermos. É tudo um jogo de possibilidades entre os ganhos e perdas daquilo que somos e temos em personalidade e pessoa com o objectivo máximo não de sermos felizes, mas sim, sermos menos infelizes, pois a felicidade desvanecesse na impossibilidade de concretização face a complexidade e imprevisibilidade do ser humano.

É aqui que peço força e dedicação para a concretização da mudança. Mudar o que sei estar mal permitindo endireitar os caminhos tomados. Saber aproveitar a sorte que surge nos momentos em que a vida nos sorri e nos ajuda a levantar e seguir em frente. Não podemos mudar nada do que já construímos no tempo que passou mas podemos sempre construir algo de melhor no tempo que virá.

Boas construções a todos e a mim em todos os dias do ano 2010…

A convicção plena no presente é o que demais certo temos e nunca nos apercebemos. Criamos toda uma vida pendurada nas eventualidades, nas probabilidades, nos projectos, nas esperanças… vivemos toda uma vida com o olhar colocado no fundo, bem lá lonje, onde o coração (ainda) não sente, onde os olhos (ainda) não vêem e onde apenas a imaginação alcança. Não é errado e não esta errado. Mas não o é e não o será, apenas e só, se não deixarmos de viver o presente, o hoje, o momento em prol do que há de vir.

A vida vivesse num tabuleiro de jogo. Somos manipulados por alguém ou algo que dita a sorte sobre nós. Não somos unos na nossa vontade, iludasse aquele que o acha. Vivemos a vida num equilibrio demasiado periclitante sem que nos apercebamos disso mesmo, e por isso mesmo, não sabemos viver a vida que vivemos. Não sabemos saborear o prazer de estar vivo, aqui, hoje e agora.

À mercê dos dados lançados somos empurrados para a frente, casa a casa, em direcção a um fim no qual a nossa escolha é pouca. O fim foge à nossa vontade, domínio, desejo ou conficção mas nunca à forma como é alcançado. A escolha é minha: posso faze-lo rastejando olhando o chão ou levantado enfrentando o horizonte.

Desistir não é uma opção válida. A desistência surge como uma encruzelhada sem resposta nas regras deste jogo da vida. É a única solução nas mãos do peão, qual pessoa confusa em jogo. Mas por isso mesmo se torna a decisão mais mesquinha, insignificante e sem valor a tomar. Fracos os que abandonam, como areia entre dedos abertos, o valor que nos é possivel controlar.

E é nesta complexidade da vida que surgem as outras vidas, pois a vida é uma encruzelhada de vidas, com nós sem volta com outras vidas. É assim, no meio das vidas e em nós mesmos, que surge o amor. Elemento neutro e indomavel, avassalador à mercê de si mesmo que vive na vida mascarado de formas várias e tantas formas essas, por vezes imperceptiveis…

A todos os que na minha vida amo, o muito obrigado pelo nó das nossas vidas, pois é ele que me impede de desistir, que me impele e andar levantado pelo caminho incerto da minha vida, vivendo hoje, mais do que nunca, cada momento de vida em cada momento da vida.




Após esta longa ausência estou de regresso. De regresso a vida e aos seus problemas tentando aceitá-los, superá-los e continuar em frente. Está a ser difícil. As férias, essas, terminaram. Foram boas, muito boas mesmo! A Suíça é um país muito bonito em cultura, paisagem natural e arquitectural. As pessoas são sui generis, talvez pelo clima. Esse é frio e bem frio!!! Ponto curioso: há portugueses em todo o canto do mundo, até no meio das montanhas, no fim do mundo na Suíça… Aproveitei nestas férias e fui ao Europa Park (Alemanha). Muito giro! Demasiado grande para um dia, mas muito muito giro! E também aí estavam portugueses, claro! E ainda na cidade Suíça de Basel (onde fiquei) aproveitei para me divertir e tornar radical a minha passagem, pois eles têm nesta altura muitas diversões porque estão em festa e eu sou doido por coisas que andem a roda e me virem ao contrário e coisas assim e fartei-me de andar nas diversões. Em especial uma delas de nome TRANSFORMERS. O melhor sem dúvida!!!

Também fiz compras, obviamente! Os chocolates são divinais assim como as salsichas (falo das mastigáveis e engolíveis para as mentes mais malvadas). Comprei montes de perfumes que lá são super baratos. E Trouxe duas canecas (eu faço colecção) muito fofas, uma dela toca música… E obviamente que comprei chocolates e mais chocolates, ao ponto de quase ter que pagar 46 euros de peso a mais…

Deixo como PS o comentário bem negativo aos francos suíços. São moedas que nunca mais acabam e as notas parecem pequenos papéis de brincar… não gostei.















Apesar de tudo a vida continua. Nunca pensaram, num determinado momento das vossas vidas, como seria acordar e viver o dia seguinte, como seria viver a seguir e até ao final das vossas vidas com a certeza de nada ser igual ao que era? Pois bem, a verdade que todos sabemos mas por vezes nos esquecemos é que, na vida, nunca nada e certo ou igual ao que já foi e até mesmo ao que hoje é. A vida é uma constante mudança ao sabor da passagem do tempo tornando, cada momento, único e irrepetível. Por isso, aconteça o que acontecer, a vida continua!

Assim sendo, caros amigos, leitores e outros que só de passagem por aqui passam informo que vou de férias nos próximos tempos. Deixo mágoas e receios em terras lusitanas recheadas do fado e tristeza e parto com vontade e esperança para o frio e neve das terras Suíças em busca de diversão, paz de espírito e sossego do coração. Darei notícias no meu regresso e quem sabe até fotos…

E porque a vida continua, e a pedido especial de alguém igualmente especial, partilho convosco um sonho, em modo de esboço de vida futura, ainda pouco certo mas de contornos já definidos. Procurando a companhia necessária ao aconchego de uma casa e um lar, o nosso lar, acordei com uma amiga em morarmos juntos. Não é para breve. Porém, será o final dos dias de sossego de ambos e quando isso acontecer, homens, o vosso sossego terminou também (ou não). Até lá, vivo o sonho de tais aventuras, na esperança do fado da minha vida permitir o sonho esboçado passar a existência realizada.
A vida continua, sempre continuará, e não somos, em boa verdade, ninguém para a manipular. Somos apenas alguém para a viver. Vivão a vossa vida não se permitindo serem voces vividos por ela.

A condição humana atribuí-nos a estranha capacidade de amar. Esta, pode ser tão benéfica quanto maléfica para quem a vivência. Muito mais forte que a vivência do amor é a desilusão em quem e por quem se ama, mais até que o amor não correspondido. E estranho é, este sentimento, que imperceptivelmente se apodera de nós, da nossa identidade, comandando o nosso coração, qual motor vital da máquina que é o corpo e da existência que passa, a partir de então, a ter um propósito e a vivê-lo como sua razão de existência como se antes, apenas vivesse na expectativa eterna e insondável de tal acontecimento. Pior é, que a memória associada a essa estranha capacidade de amar, crie uma memória sentimental sem volta. O amor marca o coração e a mente, como cicatriz de ferro em brasa, de forma permanente com durabilidade indefinida mas a tender para o eterno na nossa duração.

A inevitável ida à terra trouxe consigo o reviver de memórias que a distância ajuda a reter no fundo do coração. Ao percorrer os caminhos que antes solitários (com vontade de amar) e depois nossos (amando), o coração, até aqui adormecido, despertou, mais ainda, quando numa esquina surge alguém cuja fisionomia, à primeira vista, se aproximava dos teus traços. O coração disparou e fez-me parar. O sentimento, contudo, mudou. Não senti ódio, não senti amor. Não senti saudade mas senti angústia de ver algo que, conscientemente, sei não querer ver, mesmo que a imaginação corra e me leve, por vezes, até esse encontro que não quero que aconteça.

Percebi a vontade e desejo que tenho de esquecimento. Agarro-me à percepção de vida errada para que caminhava. Certeza constante de desconforto e desconexão de vidas. Nem tudo são rosas… e quero esquecer. Porém, sinto-me preso ao que vivi pela memória emocional que não escolhi seleccionar, porém, certo que se escolhesse, sem antevisão do futuro, a escolheria, crente na continuidade do que se crê ser duradoiro no inicio de uma relação. Percebi, de forma clara e inequívoca, a vontade que tenho em lembrar-me, todos os dias, de te esquecer. Se esquecer-te não for possível, lembrar-me-ei de o fazer todos os dias. Até um dia, em que a tua lembrança seja apenas mais uma lembrança recôndita na memória do coração. Não sei o que guardarei de ti: se os momentos bons ou os momentos maus. Porém estou certo que me acompanharás para sempre. Apenas e se necessário, para sempre, me lembrar de te esquecer.



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É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

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