A ausência por estes lados deveu-se, entre outros motivos, a férias. E para o demonstrar aqui ficam algumas amostras. A música é só para condizer...
Todos nos lamentamos de algo. Seja da vida que não corre como queríamos, dos objectivos que não alcançamos, da sorte que não chega, do trabalho que não corre, que corre demais ou que corre e não corre bem… O rol é grande e quase interminável. Mas, acreditando nas velhas palavras “quando se fecha uma porta abre-se uma janela” há sempre alguma coisa que vem para nos animar, acalentar a esperança, desvanecer a mágoa ou a dor que assombra a vontade no amanhã.
Depois de mais uma noite de trabalho, numa semana difícil e dura, quando o cansaço já abunda e a saturação reina é bem preciso um incentivo. E ele lá vem. Ouvir pequenas palavras vindas de um pequeno rapaz, projecto de gente em crescimento, encerrando a verdade ingénua do seu pensamento quando diz “Lá vem o Super Enfermeiro!” com um sorriso verdadeiro que faz derreter corações. Chegar e encontrar no placard o desenho quase impressionista da realidade vista pelo olhar de quem só há pouco tempo experimenta este mundo e ter o teu nome por baixo de um boneco que, simplesmente, sou eu. Ou mesmo encontrar uma fotografia, com algumas palavras anexadas, deixada simbolicamente como agradecimento especial ao trabalho e simpatia, em boa da verdade, não mais que disponibilidade prestada e cedida a quem só vê um mundo de dor, pressa e desconhecido sofrimento…
São estes os alentos do amanhã, quando tudo o resto falha, a vida deixa pequenos presentes espalhados para te fazer sorrir e continuar…
… e é por isto que eu continuo!
"Paixão sem Amor acaba. Amor sem Paixão esmurece."
Não são palavras minhas mas não consigo encontrar o autor...

Pergunto-me algumas vezes se este lugar tem leitores. E se os tiver o que esperarão eles deste lugar. A verdade é que sendo este o meu lugar, não é se não uma ínfima parte de mim onde algumas ideias, pensamentos, sensações, impressões, sentimentos e realidades vagueiam e surgem expostos e partilhados, ao sabor do que dita a minha vontade para o fazer. Este lugar não tem, nunca teve e duvido que algum dia venha a ter carácter de diário da minha vida pois, para além de pouco interesse, a isso nunca me consegui obrigar. Sou um eterno auto-indomado ganhando a minha vontade contra a minha determinação própria – sempre!
Não sou como um rio que corre mas como uma gota que escorre, do outro lado de um vidro, lá fora, nestes tempos chuvosos. Sem sentido ou rumo certo vagueia, ao sabor do vento, que mais para a direita ou mais para a esquerda, a vai empurrando sem vontade na descida que lhe cabe. Mas não solitária, muitas outras gotas, como ela, a cercam nesse caminho curvo e incerto. Tão iguais como diferentes de si mesma. E incerta é também a forma como ao fim chegará, na hipótese de chegar. Porque tudo não passa de hipóteses! E neste lema vai descendo o frio, rígido e intransponível vidro numa dança forçada, na qual, nem sempre se sai bem. Mas continua. E eis que numa dessas curvas, outra, quase como ela, surgiu. Outra como outras. Mas na sua vontade incerta surgiu a vontade certa de que o vento soprasse mais para a direita. Por coincidência o vento deu um pequeno suspiro que ela depressa aproveitou. Mas a cautela tomou-se de consciência e não se fundindo permitiu-se ficar lado a lado por esse caminho. Tão perto que quase se tocam, por vezes. Partilham agora a descida sinuosa na verdade, não plena mas sincera, da pequenez de gota que cada uma é e traz em si. Continua a descer. Perdida na incerteza de juntas continuarem. Perdida na vontade da outra. Perdida, mais ainda, no temor do que possa calhar como hipótese no vento que se sente. Porque tudo são hipóteses! E como certo está apenas o chão, como fim do vidro, dando fim certo ao caminho.
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