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Reli Vagabundos de Nós, de Daniel Sampaio. Foi um dos primeiros livros abordando a temática da homossexualidade que li na minha adolescência. Passaram já alguns bons aninhos desde que o tinha feito e apenas me recordava de ter gostado do livro. Recordava-me, vagamente, de algum choque sobre o que lia. Até de algum estranho receio de o ler. Mas, em boa verdade, pouco mais me conseguia lembrar. Tinha sublimado ao esquecimento o livro sem perceber o porque. Reavivada a memória percebo.

O livro consegue ter o traçar o caminho real da realidade daqueles que partilham esta orientação sexual. A sua escrita não se foca. Não é para nós. Não é para eles. Destina-se a todos. A identificação com as personagens ficcionais assusta quem lê. Obviamente que falo em nome pessoal. Mas atrevo-me a generalizar a muitos de vós, contendo-me para não dizer todos vós.

Os medos, receios, as angustias e a solidão. A diferença e a percepção da diferença. Os primeiros passos em perceber, assumir de nós para nós ou não querer perceber e assim fugir de nós mesmos. As primeiras experiências… Uma vida como tantas vidas. "Vagabundos da nossa condição". Brilhante a expressão.

Vivemos como vagabundos num mundo que não nos quer incluir. Em que não é dada a opção de viver. E, desde muitos cedo, temos que lidar com a nossa diferença e com dança e balanço vivermos ou sobrevivermos. Culpados os outros mas também nós. Nós, que por medo, receio e angustia, vestimos essa pele de vagabundos em nós e de nós. Nos escondemos e evitamos demonstra
r aos outros a homossexualidade como realidade presente e comum a todos.

Curioso mas francamente verdadeiro, uma das problemáticas que mais me incomodam, Daniel Sampaio escreve, já quase no final do livro e também quase despercebido e pouco aprofundado: “a homossexualidade não é doença mas uma opção, onde esteve a alternativa no meu caso?”. Será que quem o diz não para dois segundos para pensar? Quem, no seu juízo perfeito, escolheria, se a escolha fosse possível, o caminho mais difícil? Aquele sem destino certo, com dor, sofrimento, descriminação e incerteza a cada curva… Não, desengane-se quem o diz. Não é uma
escolha! É sim uma verdade. A dura verdade que cabe em cada um de nós.

E vivendo, sendo eu como sou, não perco a esperança de que um dia “em silêncio me demoro a olhar para ele, no seu olhar revejo o mar em frente da casa abandonada” paraíso da minha alma.

Constante, incessantemente,
Procuro encontrar
Um dia, num dia,
O que outrora julguei ter.
Iludido na realidade
Enganado na verdade
Em prol da determinação
Desejada e ainda mais sentida,
No antes e no depois,
Mas sempre no agora,
De querer.
Sempre querer.
E Para sempre querer.
Sofrido, destroçado
Pelo longínquo destino
Que a meio fica cortado.
Ainda assim,
Pelo trilho condenado
Caminho alegrando os outros,
Mas mais a mim,
Num fingimento forçado
De quem acredita no que quer acreditar
Deixando, dia após dias,
De acreditar um pouco mais.
Acreditando um pouco menos.
Nunca deixando de acreditar.
E quando a meta surge,
Na possibilidade do querer,
O sentimento acontece.
Mas mais cedo,
Ou sempre mais tarde,
A verdade aparece,
Franca ou dissimulada,
Fazendo da vida
Um jogo sem regras
Tendo como regra única
Não ter para poder querer.
E assim acreditar.
Para sempre querendo.

Este post é para ti e dedicado a ti...


Dá-me um abraço que seja forte

E me conforte a cada canto

Não digas nada que o nada é tanto

E eu não me importo


Dá-me um abraço fica por perto

Neste aperto tão pouco espaço

Não quero mais nada, só o silêncio

Do teu abraço


Já me perdi sem rumo certo

Já me venci pelo cansaço

E estando longe, estive tão perto

Do teu abraço


Dá-me um abraço que me desperte

E me aperte sem me apertar

Que eu já estou perto abre os teus braços

Quando eu chegar


É nesse abraço que eu descanso

Esse espaço que me sossega

E quando possas dá-me outro abraço

Só um não chega



... junto de beijos, muitos beijos, porque "só um não chega".

Pergunto-me algumas vezes se este lugar tem leitores. E se os tiver o que esperarão eles deste lugar. A verdade é que sendo este o meu lugar, não é se não uma ínfima parte de mim onde algumas ideias, pensamentos, sensações, impressões, sentimentos e realidades vagueiam e surgem expostos e partilhados, ao sabor do que dita a minha vontade para o fazer. Este lugar não tem, nunca teve e duvido que algum dia venha a ter carácter de diário da minha vida pois, para além de pouco interesse, a isso nunca me consegui obrigar. Sou um eterno auto-indomado ganhando a minha vontade contra a minha determinação própria – sempre!

Estou quase sobre directa e ditou a minha vontade caprichosa que, em vez de dormir, hoje seria actualizado este espaço. Um post diferente. Desta vez: um relato de mim e do meu dia, porque também os vivo… Têm dito, algumas bocas críticas e sempre bem-vindas, que o blog está demasiado “deprimente”. Um melodrama constante e quase contínuo, quase sempre, em tons que roçam o poético. E em resposta a esses digo apenas que pouco mais sobra da minha realidade se não essa constatação melodramática da mesma.

Tão frequente, ouvimos nós dizer, que o dia começa com o amanhecer e um belo despertar. Pois, por muito que os tivesse procurado hoje, não os encontraria! Assombrado por uma insónia que deitou por terra quaisquer planos de deitar cedo e conseguir um sono reparador e rejuvenescente não me foi assim possível despertar, deixando-me o dia de hoje sem começo certo e o dia de ontem com final incerto. O trabalho decorreu com a agradável reviravolta da transformação do que seria um dia difícil e agitado na calma e facilidade de uma nova experiência. Embora deva fazer um pequeno reparo crítico à organização profissional e burocrática do mundo cinzento e emaranhado que é o Hospital de Santa Maria! E seguir-se-ão alguns dias de bom descanso, pelo menos assim espero.

Já em casa, fui abatido por uma leda pasmaceira que me arrastou para um estado de quase prostração e pé ante pé caminhando para o sono que acabou por se dissipar com chamadas telefónicas e investidas na internet – forte dependência de um ser solitário – qual espelho mágico da bela adormecida que por vezes não o é em sonhos mas sim na vida. E nesse espelho mágico surgiu a agradável surpresa. O filme que há tanto tempo esperava e ansiava finalmente disponível – Do Começo Ao Fim.



Foi então do começo ao meio e não ao fim como seria de se esperar, pois o ficheiro estava afinal corrompido em metade, que vi de um trago único, quase sem respirar, esta trama única e profundamente provocante. A exposição da liberdade do amor verdadeiro despregado de sentido e empecilhos alegóricos que a ele são associados, quase como chumbos numa bóia que a fazem submergir em vez de emergir a luz da vida. Uma história de mim, de ti e de todos, tocante e envolvente, contada por belas personagens que envoltas numa fantástica realização construíram uma grande obra, mesmo ficando eu a meio dela. E, casualmente, já que tão perto quanto possível estamos do dia do pai, não deixar de notar uma menção à relação paternal e filial que de tão pura e reminiscente à natureza humana se torna, para lá da razão, tão verdadeira na percepção da essência do que somos na nossa verdade e brilhantemente aqui retratada. E esta não é mais se não a minha critica, obviamente.

O dia seguiu o seu rumo final na cadência lenta e aconchegante do sofá, da manta e do aquecedor perdido nas conversas, nos encontros e desencontros, no reviver do ontem e no planeamento do amanhã, na tentativa pouco clara de ajuda aos amigos… No alívio de nós mesmos e das nossas vontades, nos caprichos, e no final, ainda com algum tempo para o despego da realidade e mergulhando na sensação de pertença e envolvimento que os Irmão e Irmãs me permitem.

Do começo ao fim… foi mais um dia! E por fim dormirei, espero eu.


Não sou como um rio que corre mas como uma gota que escorre, do outro lado de um vidro, lá fora, nestes tempos chuvosos. Sem sentido ou rumo certo vagueia, ao sabor do vento, que mais para a direita ou mais para a esquerda, a vai empurrando sem vontade na descida que lhe cabe. Mas não solitária, muitas outras gotas, como ela, a cercam nesse caminho curvo e incerto. Tão iguais como diferentes de si mesma. E incerta é também a forma como ao fim chegará, na hipótese de chegar. Porque tudo não passa de hipóteses! E neste lema vai descendo o frio, rígido e intransponível vidro numa dança forçada, na qual, nem sempre se sai bem. Mas continua. E eis que numa dessas curvas, outra, quase como ela, surgiu. Outra como outras. Mas na sua vontade incerta surgiu a vontade certa de que o vento soprasse mais para a direita. Por coincidência o vento deu um pequeno suspiro que ela depressa aproveitou. Mas a cautela tomou-se de consciência e não se fundindo permitiu-se ficar lado a lado por esse caminho. Tão perto que quase se tocam, por vezes. Partilham agora a descida sinuosa na verdade, não plena mas sincera, da pequenez de gota que cada uma é e traz em si. Continua a descer. Perdida na incerteza de juntas continuarem. Perdida na vontade da outra. Perdida, mais ainda, no temor do que possa calhar como hipótese no vento que se sente. Porque tudo são hipóteses! E como certo está apenas o chão, como fim do vidro, dando fim certo ao caminho.



… amar, o amor. Ilógico, irracional, puramente sentimental, inqualificável, inquantificável. A essência da vida tão incerta e subjectiva. É atroz o sofrimento de quem não ama e sente, que o princípio da vida o leva a isso. Atroz o desespero daquele, que quando se despe de si, percebe o vazio do outro, na sua própria solidão. Atroz o desejo que o corrompe pela vontade de amar. Atroz o tempo da vida que passa a tentar amar, a querer amar. E atroz o momento em que cansado, frustrado, na espera do amor desiste de o fazer, de o ter, de o conseguir, quase que desistindo de parte da razão que o leva a viver, acordar e respirar.

E eis que um dia ama!

Mas o tormento não termina. Desta feita em plena competição com o enormíssimo sentimento que o preenche surge a dúvida da reciprocidade que dele exigimos. Sabermo-nos amados no outro. Sabermos até onde vai e chega o amor do outro por nós em prol do amor de nós pelo outro. Ou por outro lado, perdidos na dúvida nossa de até onde vai o nosso amor pelo outro! Mas tormento maior é o amor não correspondido. Aquele que enche o nosso mundo e a nossa vida mas se perde no campo da possibilidade falhada face à não resposta do outro. O amor é ser de duas almas e esse é o seu segredo: duas vidas que vivem em si a alma do amor na fusão das suas almas. E não esqueçamos ainda o amor desencontrado, quais caminhos errantes que se cruzam tarde ou cedo demais no tempo errante do destino…

Amor, sentimento, esse, de compreensão impossível!

A condição humana atribuí-nos a estranha capacidade de amar. Esta, pode ser tão benéfica quanto maléfica para quem a vivência. Muito mais forte que a vivência do amor é a desilusão em quem e por quem se ama, mais até que o amor não correspondido. E estranho é, este sentimento, que imperceptivelmente se apodera de nós, da nossa identidade, comandando o nosso coração, qual motor vital da máquina que é o corpo e da existência que passa, a partir de então, a ter um propósito e a vivê-lo como sua razão de existência como se antes, apenas vivesse na expectativa eterna e insondável de tal acontecimento. Pior é, que a memória associada a essa estranha capacidade de amar, crie uma memória sentimental sem volta. O amor marca o coração e a mente, como cicatriz de ferro em brasa, de forma permanente com durabilidade indefinida mas a tender para o eterno na nossa duração.

A inevitável ida à terra trouxe consigo o reviver de memórias que a distância ajuda a reter no fundo do coração. Ao percorrer os caminhos que antes solitários (com vontade de amar) e depois nossos (amando), o coração, até aqui adormecido, despertou, mais ainda, quando numa esquina surge alguém cuja fisionomia, à primeira vista, se aproximava dos teus traços. O coração disparou e fez-me parar. O sentimento, contudo, mudou. Não senti ódio, não senti amor. Não senti saudade mas senti angústia de ver algo que, conscientemente, sei não querer ver, mesmo que a imaginação corra e me leve, por vezes, até esse encontro que não quero que aconteça.

Percebi a vontade e desejo que tenho de esquecimento. Agarro-me à percepção de vida errada para que caminhava. Certeza constante de desconforto e desconexão de vidas. Nem tudo são rosas… e quero esquecer. Porém, sinto-me preso ao que vivi pela memória emocional que não escolhi seleccionar, porém, certo que se escolhesse, sem antevisão do futuro, a escolheria, crente na continuidade do que se crê ser duradoiro no inicio de uma relação. Percebi, de forma clara e inequívoca, a vontade que tenho em lembrar-me, todos os dias, de te esquecer. Se esquecer-te não for possível, lembrar-me-ei de o fazer todos os dias. Até um dia, em que a tua lembrança seja apenas mais uma lembrança recôndita na memória do coração. Não sei o que guardarei de ti: se os momentos bons ou os momentos maus. Porém estou certo que me acompanharás para sempre. Apenas e se necessário, para sempre, me lembrar de te esquecer.



Ainda me sinto estranho quando me perguntam como estou. Digo que sim, estou bem porque afinal não estou mal. Quem não teve um desgosto de amor? Serei ridículo ao sofrer e deixar a mágoa invadir-me por dentro e por fora? Sofrer por quem não merece ou sofrer por mim que sinto ser merecedor mas a vida teima em achar que não, por mim, em vez de mim ou comigo e eu sou o único que não me apercebo…? Começo a ficar cansado de mim e deste estado de espírito enublado em que me encontro mas não sinto escolha nele mesmo. Não sinto escolha na possibilidade do amor errado, não sinto escolha na possibilidade de sofrer ou não sofrer, não sinto escolha num futuro melhor, não sinto escolha…

Têm-me criticado! Alegam que tenho o que quis e posso ter o que quero! E eu só me pergunto (e mais que isso, tento desbravar esse caminho de vida) se realmente assim será. Desligo-me de mim mesmo e olho em redor: tenho a minha vida determinada pela minha vontade, a minha profissão que conscientemente escolhi, o meu trabalho que por sorte (é no que acredito) consegui, a área profissional de eleição, uma em várias, tenho amigos… Mas depois de tudo o que vejo, o que procuro não encontro. Não tenho amor.

Coisas pequenas não são pequenas coisas e é com elas que eu sobrevivo. Não são pequenas coisas e é isso que me faz continuar em frente, dia após dia. E nesses dias é onde encontro coisas pequenas … os jantares com amigos, a palavra da amiga, a mensagem do amigo, o amor-perfeito a crescer no jardim, as conversas e partilhas, mesmo que parvas, os prazeres, mais intelectuais que físicos, retirados da leitura, televisão, computador, ps2… pequenas fogueiras que tentam aquecer o coração.

A todos, a tudo, obrigado pelo esforço. Acredito que um dia conseguirei…

… e uma grande ajuda acabou de regressar: Anatomia de Grey. O que eu gosto desta série! Novos episódios em que chorei e ri, vivi com aquelas personagens as suas vidas, fictícias, mas ainda assim, tão reais e palpáveis. E a propósito, se alguém conhecer um O’Malley eu estou interessado…

PS: Estava já canso da mesma música. Trago uma nova sugestão. Espero que gostem tanto como eu…



Ler um livro é viver uma história que se funde com a nossa vida. Uma historia que dura enquanto durar a leitura. No final, o livro termina mas a vida continua…

Tenho andado ausente do blog e até um pouco da minha vida. Estou a empreender um esforço pessoal para me devolver a mim e à minha vida após o duro golpe que sofri. Se houver certo ou errado no amor, assumo que amei a pessoa errada.

Estou neste momento de férias, com família, numa diversão, por vezes quase forçada, e numa tranquilidade que abunda por estes sítios, aproveitando, ou tentando fazê-lo, nestes dias de calor. É-me por vezes difícil distanciar-me do passado e da dor que ainda sinto… Tenho-me refugiado no que me dá alguma satisfação: amigos, novos e antigos, lindos desconhecidos, passeios e aventuras, musica e leitura…

Terminei hoje um livro, o livro que aqui apresento, que me marcou. Principalmente porque fala de pessoas, mas acima de tudo porque fala de forma nua e crua, da humanidade das pessoas. No seu bom, menos bom e mau que todos temos. Nos que assumimos, escondemos, tememos e enfrentamos e, acima de tudo, nas perspectivas como cada um entende cada qual e com cada qual vive e deixa ser vivido… Senti muito do que li. Li muito do que senti e sinto nestes últimos tempos.

Ficou-me a grande questão: valerá amar e passar por tudo ou viver uma vida sem amar? Seja como for… Carpe Diem!?

Ontem o dia foi difícil. Aliás todo o fim-de-semana foi difícil! Fala quem trabalha indiscriminadamente durante a semana de sete dias… O trabalho não foi fácil, ou seja, não foi mais um dia! Mal tive tempo para comer… Chegar a casa não foi mais fácil. Neste momento é o que tenho – uma casa – apenas isso. Simples paredes vazias e recheadas da minha presença no seu interior, sem vestígios de outrem. É difícil chegar a casa e não ter nada à nossa espera à excepção de uma cama com lençóis frios, não que não saibam bem neste tempo de calor, mas o calor humano e o calor do amor, sabem bem melhor!

Não aguentei e liguei-te. A opressão saudosa do coração levou-me a isso. O que tive de ti foi uma voz distante através do contacto frio e metálico do telemóvel. Mas também distante em sentimentos e afectos me pareces. Dizes não ter paciência, demasiados problemas, até não teres vontade de mim e, por vezes, nem de ti mesmo… Eu percebo! Mas sofro com isso. Sofro com as palavras que racionalmente compreendo mas o coração aperta-se mais um pouco quando as sente na tua boca, mesmo à distância… Acabei por dizer o que não devia. Por vezes não consigo mais manter a minha capa de quem apoia cegamente! Também erro. Mas é um erro por desconhecido, não sei como viver contigo e com o amor que sinto por ti!

Perdi-me nas tuas recordações antes de adormecer. Na última viagem que fizemos apoiei a minha cabeça no teu ombro. Em reposta sincera, eu senti-o, deste-me um beijo no cabelo e deixas-te descansar a tua cabeça sobre a minha… Senti-me feliz nesse momento…

… Preciso de coisas fofas… Valha-me as bolachas com
chocolate…

Estive hoje na formatura dos meus afilhados de faculdade. Para quem não sabe são os estudantes que entram no ano a seguir ao nosso na faculdade, pelo menos na minha ex-escola. É um momento muito emotivo e para mim reflexivo…

… Fiquei a perguntar-me se a vida toma o seu rumo próprio ou se somos nós que damos o próprio rumo à vida! Sei que não chegarei à resposta, motivo pelo qual muitas das vezes não gosto de debater ideias, porém não paro de pensar nisso.

Sou alguém que acredita no fado e no destino encerrado nas coincidentes coincidências da vida. Acredito em algo mais para lá de nós mortais. Acho, por vezes, que somos demais insignificantes na infinitude do universo… Mas nem assim a vida se torna, para mim, mais fácil de encarar e levar!

Sofri desde cedo com o melodrama familiar. Tirei um curso que sabia, à partida não gostar. Em consequência, comecei uma profissão que não gosto. Vivi uma vida na mentira dos outros criando a minha própria mentira na consciente verdade de mim e da minha orientação sexual. Conheci muitas coisas tarde, uma delas, o amor. Quando este surgiu na minha vida, peço mais, não em quantidade mas em qualidade…

Sinto muitas vezes que a vida seria muito mais fácil se colocássemos anúncios em jornais e mediante as respostas escolhíamos a alternativa que mais nos convinha. Que tal: Procura-se a profissão dos meus sonhos?; ou Procura-se a família ideal para adoptar jovem interessado?; ainda Procura-se o amor que me faça feliz todos os dias da minha vida?; ou mesmo Procura-se a vida que sempre quis, se alguém sabe do seu paradeiro é favor de contactar para 9xxxxxxxx!.

Em verdade tenho que assumir que é pouco, muito pouco mesmo, para não dizer nada (pois não gosto de ser radical), aquilo que me arrependo na minha vida. Hoje, tenho a sorte de estar a trabalhar na área que cursei, ao contrário de muitos. Tenho a minha independência completa: financeira, pessoal e intelectual. Continuo a levar com os dramas familiares (há coisas que não mudam nunca). Assumi-me às pessoas que senti necessidade de o fazer. Tenho um namorado. Porém não sou feliz com o rumo da minha vida… Talvez seja eu o eterno descontente. Podem acusar-me disso. Eu próprio me acuso disso por vezes… Mas acabo sempre a pensar: não tenho o direito de ser feliz?



Tantos dias que pensei em ti e no desejo de te ter, comigo, para sempre, mesmo antes de saber que te teria, mesmo antes de te conhecer. Agora tenho-te. Sei o que é sentir-te, tocar-te, beijar-te, ter-te dentro de mim. Sei o que é ser amado por ti, desejado por ti. Agora sei o que é amar, sei o que é sentir-me tão ligado a alguém que a minha vida quase parece depender da tua. Sinto-me existir apenas porque existes e isso basta-me!

Simplesmente Amo-te.

Amo-te na diferença que nos distingue e na igualdade que nos une. Amo-te no verão e no inverso, quando faz sal ou quando chove. Amo-te quando dizes que me amas e amo-te quando o esqueces de dizer por palavras. Amo-te quando és tu mesmo e também te amo quando te esqueces de seres tu mesmo…

Simplesmente Amo-te.

Mas… tenho que te amar na ausência. Tenho que te amar na distância do teu beijo, do teu toque, do teu corpo, do teu perfume, da beleza do teu sexo, da intensidade do teu olhar, das palavras sussurradas ao ouvido… Tenho que te amar sem data e sem prazo, aproveitando de ti, o máximo que consiga, até à próxima vez em que te terei, incerta e longínqua. Tenho que amar-te…

E simplesmente Amo-te porque, hoje, já não sei fazer mais nada a não ser amar-te. E porque se me pergunto se verdadeiramente te amo, a saudade atroz e agudizante que sinto de ti e por ti no meu coração me relembra que sim, sim e sim, intensa e (quase)desesperadamente, todos os dias da minha vida. E por te amar apenas peço forças para conseguir fazê-lo e continuar a fazê-lo na distância que nos separa e, ainda assim, ajudar-te, sempre que precisares e mo permitires fazer…


Nos dias em que fico por casa dá para me perder em memórias passadas… Deu-me hoje para lembrar o meu primeiro beijo. Não um beijo qualquer mas aquele beijo com o homem que promete ser, naquele momento, o homem dos nossos sonhos, o que coincidiu, no meu caso, com o meu primeiro beijo a um homem.

Conhecemo-nos pela net e, num dia planeado, encontramo-nos. Há noite, no jardim de uma bela cidade ribatejana, junto ao rio. Levava na mão uma rosa vermelha. Ousado para conhecer um (quase)desconhecido. Foi a forma mais fácil que encontramos de distinguir a tão comum descrição de homem de calça de ganga e blaser preto…

Os nervos eram muitos. As dúvidas surgiram na espera. Mas nem medos nem dúvidas me assombraram quando o vi, a caminhar para mim. O sorriso cúmplice de quem sabia o que ali fazíamos foi por mim retribuído. De dentro da camisola retirou a flor, flor do mato selvagem em beleza e fragrância. Estavam expostas as nossas diferenças. Eu, com uma delicada rosa vermelha à vista de todos, Ele, com uma bela flor selvagem escondida de todos. Não aconteceu aí - o beijo. Aí quebramos a barreira do contacto entre dois (quase)desconhecidos. Pouco tempo demoramos ao som lento das águas do rio. A partir desse momento seria surpreendido. Eu decidi o encontro Ele decidiu o programa…

Encaminhamo-nos para o carro dele. As conversas ainda tímidas. Enfrentávamos ambos a barreira pessoal bem mais difícil do que manter uma conversa por mail, sms ou mesmo chamada telefónica. A viagem foi rápida e o destino imprevisível, para mim. Chegamos à garagem do prédio dele. Parou o carro, retirou a chave e no momento seguinte encaminhava os seus lábios com destino aos meus. Sou sincero ao admitir que numa fracção de segundos me perguntei o que queria! Inocência da primeira vez… Beijamo-nos. Intensamente e ardentemente, pelo menos para mim…

Só depois me apercebi do que me tinha acontecido: o beijo com que sempre desejei. O beijo de um homem. O beijo com desejo e paixão. O beijo… quente, a sensação de invasão e invasor de nós e do outro, o toque húmido e sensual dos lábios, da língua… a certeza do tão desejado e finalmente conseguido. Foi bom, muito bom o meu primeiro beijo…

O resto??? Fica para depois…



Estou de luto.
Sempre que passo por um velório surgem-me demasiadas perguntas. Sempre que passo pela morte ponho em causa a vida e o caminho que esta - a minha vida - toma. Ontém perdi a minha avó. Perdi-a para sempre e é isso que mais me doi. O momento em que tomamos consciência de que nada volta a trás. Nada do que se passou poderá repetir-se. A pessoa que sempre esteve presente, não o estará mais. Fez uma viagem. De ida. Sem volta.

E agora?
Como vivemos sem alguém que faz parte de nós? O que fazer nos momentos que estava com ela? Onde por a saudade, o amor, a tristeza... até quando deixar cair a lágrima? Ao longo da vida tenho perdido pessoas, algumas sem retorno. Porém, acho que não estou a conseguir pessoas, na vida, com capacidade de reposição das perdas... estou a ficar em saldo negativo!!!

Senti falta...
Senti hoje a falta do braço masculino que me envolvesse na minha dor. Do beijo suave no cabelo e da palavra vã, ainda assim, recompensadora, para tranquilizar o que não se tranquiliza... Senti-me, triste e só.

Acredito porém que melhores dias virão. Temos mesmo que acreditar, não é?

Até sempre querida avó......



"Ama e faz o que quiseres.

Se calares, calarás com amor;

se gritares, gritarás com amor;

se corrigires, corrigirás com amor;

se perdoares, perdoarás com amor.

Se tiveres o amor enraizado em ti,

nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."


Santo Agostinho

About this blog

É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

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