Que fique para traz o que de mau passou, que se esqueça o que de menos bom aconteceu, que fique na memória as coisas agradáveis da vida e que se festeje as coisas fantásticas, sempre e para sempre, nos anos vindouros. A ti, obrigado por surgires;)
Que fique para traz o que de mau passou, que se esqueça o que de menos bom aconteceu, que fique na memória as coisas agradáveis da vida e que se festeje as coisas fantásticas, sempre e para sempre, nos anos vindouros. A ti, obrigado por surgires;)
Uma das músicas que se ouviu no final da noite
Todos nos lamentamos de algo. Seja da vida que não corre como queríamos, dos objectivos que não alcançamos, da sorte que não chega, do trabalho que não corre, que corre demais ou que corre e não corre bem… O rol é grande e quase interminável. Mas, acreditando nas velhas palavras “quando se fecha uma porta abre-se uma janela” há sempre alguma coisa que vem para nos animar, acalentar a esperança, desvanecer a mágoa ou a dor que assombra a vontade no amanhã.
Depois de mais uma noite de trabalho, numa semana difícil e dura, quando o cansaço já abunda e a saturação reina é bem preciso um incentivo. E ele lá vem. Ouvir pequenas palavras vindas de um pequeno rapaz, projecto de gente em crescimento, encerrando a verdade ingénua do seu pensamento quando diz “Lá vem o Super Enfermeiro!” com um sorriso verdadeiro que faz derreter corações. Chegar e encontrar no placard o desenho quase impressionista da realidade vista pelo olhar de quem só há pouco tempo experimenta este mundo e ter o teu nome por baixo de um boneco que, simplesmente, sou eu. Ou mesmo encontrar uma fotografia, com algumas palavras anexadas, deixada simbolicamente como agradecimento especial ao trabalho e simpatia, em boa da verdade, não mais que disponibilidade prestada e cedida a quem só vê um mundo de dor, pressa e desconhecido sofrimento…
São estes os alentos do amanhã, quando tudo o resto falha, a vida deixa pequenos presentes espalhados para te fazer sorrir e continuar…
… e é por isto que eu continuo!
Não sou como um rio que corre mas como uma gota que escorre, do outro lado de um vidro, lá fora, nestes tempos chuvosos. Sem sentido ou rumo certo vagueia, ao sabor do vento, que mais para a direita ou mais para a esquerda, a vai empurrando sem vontade na descida que lhe cabe. Mas não solitária, muitas outras gotas, como ela, a cercam nesse caminho curvo e incerto. Tão iguais como diferentes de si mesma. E incerta é também a forma como ao fim chegará, na hipótese de chegar. Porque tudo não passa de hipóteses! E neste lema vai descendo o frio, rígido e intransponível vidro numa dança forçada, na qual, nem sempre se sai bem. Mas continua. E eis que numa dessas curvas, outra, quase como ela, surgiu. Outra como outras. Mas na sua vontade incerta surgiu a vontade certa de que o vento soprasse mais para a direita. Por coincidência o vento deu um pequeno suspiro que ela depressa aproveitou. Mas a cautela tomou-se de consciência e não se fundindo permitiu-se ficar lado a lado por esse caminho. Tão perto que quase se tocam, por vezes. Partilham agora a descida sinuosa na verdade, não plena mas sincera, da pequenez de gota que cada uma é e traz em si. Continua a descer. Perdida na incerteza de juntas continuarem. Perdida na vontade da outra. Perdida, mais ainda, no temor do que possa calhar como hipótese no vento que se sente. Porque tudo são hipóteses! E como certo está apenas o chão, como fim do vidro, dando fim certo ao caminho.
A condição humana atribuí-nos a estranha capacidade de amar. Esta, pode ser tão benéfica quanto maléfica para quem a vivência. Muito mais forte que a vivência do amor é a desilusão em quem e por quem se ama, mais até que o amor não correspondido. E estranho é, este sentimento, que imperceptivelmente se apodera de nós, da nossa identidade, comandando o nosso coração, qual motor vital da máquina que é o corpo e da existência que passa, a partir de então, a ter um propósito e a vivê-lo como sua razão de existência como se antes, apenas vivesse na expectativa eterna e insondável de tal acontecimento. Pior é, que a memória associada a essa estranha capacidade de amar, crie uma memória sentimental sem volta. O amor marca o coração e a mente, como cicatriz de ferro em brasa, de forma permanente com durabilidade indefinida mas a tender para o eterno na nossa duração.
Ainda me sinto estranho quando me perguntam como estou. Digo que sim, estou bem porque afinal não estou mal. Quem não teve um desgosto de amor? Serei ridículo ao sofrer e deixar a mágoa invadir-me por dentro e por fora? Sofrer por quem não merece ou sofrer por mim que sinto ser merecedor mas a vida teima em achar que não, por mim, em vez de mim ou comigo e eu sou o único que não me apercebo…? Começo a ficar cansado de mim e deste estado de espírito enublado em que me encontro mas não sinto escolha nele mesmo. Não sinto escolha na possibilidade do amor errado, não sinto escolha na possibilidade de sofrer ou não sofrer, não sinto escolha num futuro melhor, não sinto escolha…
Tenho andado afastado do blog. Isto quase pareceu um capricho irreflectido mas não. Quero assegurar-me de que é mais que isso: um espaço meu, que me pertence e me faz falta. Peço desculpa aqueles, poucos ou muitos, que o seguem ou seguiram pela falta de actualizações… A verdade é que tenho andado, ou melhor, sentindo-me um pouco perdido em mim mesmo. Vá, sendo realista, muito perdido mesmo... Tenho feito alguns esforços, um pouco infrutíferos – é certo – para me encontrar. Acho que isto é a consequência inevitável de algumas escolhas e acontecimentos de vida (recentes e menos recentes). A verdade é que não sei o que fazer para ultrapassar esta fase mas estou confiante que o conseguirei...
Por estranho que pareça, o pensamento mais frequente que tenho tido é que gostava de voltar a ser criança. A forma simples como vivem e constroem o mundo. A forma como classificam nele o bem e o mal, fieis ao juízo dos seus olhos verdadeiros, inocentes e, por vezes, até cruéis pois perdem-se na simplicidade da consequência das suas vidas e das vidas dos que a rodeiam. Tenho saudades de ser e de viver sendo assim. Era tudo tão mais facil... Viver com o que compreendem e por de lado o incompreensivel!
As pessoas crescem, por vezes, de forma tão cruel para elas e para os outros. É-me tão difícil compreender o mundo por vezes… Não me considero alguém inocente, muito para lá disso. Porém, apercebo-me que uma das minhas qualidades se tem transformado num defeito para mim – a crença. Acredito(ava) demais nas pessoas. Porém, as desilusões directas ou indirectas nas pessoas, das pessoas e com as pessoas têm-me magoado e obrigado a uma concepção diferente de mim em relação aos outros.
Sei e sempre soube, por experiência própria, que a vida não é fácil. Apercebo-me nos dias de hoje, tarde já, que as pessoas a tornam mais difícil… porque?
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