Mostrar mensagens com a etiqueta Infância. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Infância. Mostrar todas as mensagens



Todos nos lamentamos de algo. Seja da vida que não corre como queríamos, dos objectivos que não alcançamos, da sorte que não chega, do trabalho que não corre, que corre demais ou que corre e não corre bem… O rol é grande e quase interminável. Mas, acreditando nas velhas palavras “quando se fecha uma porta abre-se uma janela” há sempre alguma coisa que vem para nos animar, acalentar a esperança, desvanecer a mágoa ou a dor que assombra a vontade no amanhã.

Depois de mais uma noite de trabalho, numa semana difícil e dura, quando o cansaço já abunda e a saturação reina é bem preciso um incentivo. E ele lá vem. Ouvir pequenas palavras vindas de um pequeno rapaz, projecto de gente em crescimento, encerrando a verdade ingénua do seu pensamento quando diz “Lá vem o Super Enfermeiro!” com um sorriso verdadeiro que faz derreter corações. Chegar e encontrar no placard o desenho quase impressionista da realidade vista pelo olhar de quem só há pouco tempo experimenta este mundo e ter o teu nome por baixo de um boneco que, simplesmente, sou eu. Ou mesmo encontrar uma fotografia, com algumas palavras anexadas, deixada simbolicamente como agradecimento especial ao trabalho e simpatia, em boa da verdade, não mais que disponibilidade prestada e cedida a quem só vê um mundo de dor, pressa e desconhecido sofrimento…

São estes os alentos do amanhã, quando tudo o resto falha, a vida deixa pequenos presentes espalhados para te fazer sorrir e continuar…

… e é por isto que eu continuo!



Tenho andado afastado do blog. Isto quase pareceu um capricho irreflectido mas não. Quero assegurar-me de que é mais que isso: um espaço meu, que me pertence e me faz falta. Peço desculpa aqueles, poucos ou muitos, que o seguem ou seguiram pela falta de actualizações… A verdade é que tenho andado, ou melhor, sentindo-me um pouco perdido em mim mesmo. Vá, sendo realista, muito perdido mesmo... Tenho feito alguns esforços, um pouco infrutíferos – é certo – para me encontrar. Acho que isto é a consequência inevitável de algumas escolhas e acontecimentos de vida (recentes e menos recentes). A verdade é que não sei o que fazer para ultrapassar esta fase mas estou confiante que o conseguirei...

Por estranho que pareça, o pensamento mais frequente que tenho tido é que gostava de voltar a ser criança. A forma simples como vivem e constroem o mundo. A forma como classificam nele o bem e o mal, fieis ao juízo dos seus olhos verdadeiros, inocentes e, por vezes, até cruéis pois perdem-se na simplicidade da consequência das suas vidas e das vidas dos que a rodeiam. Tenho saudades de ser e de viver sendo assim. Era tudo tão mais facil... Viver com o que compreendem e por de lado o incompreensivel!

As pessoas crescem, por vezes, de forma tão cruel para elas e para os outros. É-me tão difícil compreender o mundo por vezes… Não me considero alguém inocente, muito para lá disso. Porém, apercebo-me que uma das minhas qualidades se tem transformado num defeito para mim – a crença. Acredito(ava) demais nas pessoas. Porém, as desilusões directas ou indirectas nas pessoas, das pessoas e com as pessoas têm-me magoado e obrigado a uma concepção diferente de mim em relação aos outros.


Sei e sempre soube, por experiência própria, que a vida não é fácil. Apercebo-me nos dias de hoje, tarde já, que as pessoas a tornam mais difícil… porque?




Durante este fim-de-semana estive num campo de férias para jovens diabéticos. Foi o meu primeiro campo de férias. Nunca fui criança de me entrosar facilmente no meio de desconhecidos e também nunca fui muito sociável devido a algumas condicionantes de vida. A experiência foi enriquecedora e gratificante. É certo que hoje, adulto e em trabalho, a realidade é diferente.

O curioso é que muitas questões internas me surgiram. Não só em relação a mim mesmo no passado e presente como em relação a todos os jovens que lá estavam. As idades variavam e, tanto rapazes como raparigas, partilhavam o dia em actividades e convívio. Alguns já se conheciam outros, novos, viviam a experiência e as pessoas pela primeira vez.

Em tudo o que mais pensei e observei foi a descriminação que surge em idades tão precoces. A discriminação pela minoria, pela novidade, até mesmo pela inocência e desconhecimento. Depressa pensei na sexualidade de todos aqueles jovens. Pergunto-me quantos não viverão mal a sua sexualidade por falta de acompanhamento, por medo e repressão, até mesmo de si para si mesmo. Quantos não se sentirão frustrados com a sua vida por falta de coragem, quantos não fingirão ser o que não são para poderem prosseguir o seu caminho e quantos terão a coragem para enfrentar tudo e todos e caminharem pela verdade de quem são: gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais.

O acompanhamento social não existe. A discussão da sexualidade é discutível. A que existe é ainda muito retrógrada. Não se fala abertamente e sem preconceito de orientação sexual, não como opção, mas como realidade natural.

Espero um dia ver essa sociedade…

PS: fica a foto do paraíso onde estivemos.



About this blog

É mais um Blog de um Homossexual que vive (ou tenta viver) a sua vida. Alguém convicto que a orientação sexual não é uma escolha, que não sou diferente e como tal a descriminação não faz sentido... Será que ainda posso acreditar no Pai Natal??!!

Os que andam por aqui...